Foi à montanha para rezar

Foi à montanha para rezar- Tomas Merton

“S. João da Cruz e S. Teresa nos deixaram estudos minuciosos dos caminhos da oração contemplativa. Mais do que qualquer outro místico, eles nos descreveram os pormenores práticos de nossa cooperação com o Espírito de Deus no grau de oração que aqui nos interessa. Ambos acham que na Noite dos sentidos e na oraçã0 de Quietude, as faculdades da alma são de algum modo passivas. Mas concordam também em que elas ainda são livres de agir, podendo ajudar ou estorvar a ação de Deus. Pensam igualmente que para ajudar a obra da graça, as faculdades devem pôr-se em uma atividade muito simplificada, que na ora da oração passiva, consiste em não fazer outro esforço senão conservar-nos passivos. Fora do tempo da oração, podem fazer mais. Mas é, de qualquer modo, mortificante manter a alma num estado de atenta receptividade durante os primeiros passos da oração passiva quando a graça age quase sem se fazer sentir e a imaginação é solicitada por muitas distrações.”
Ascensção para a verdade
(Itatiaia, 1999), pág. 161

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Exorcismos: Reflexões Teológicas e Orientações Pastorais

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou há pouco tempo, um subsídio doutrinal sobre o exorcismo. O documento de poucas páginas, concisas e objetivas, em sete capítulos, trabalha os seguintes temas: Diabo e demônio na Sagrada Escritura; Jesus Exorcista; Cristo confere à Igreja o poder de exorcizar; O maligno, segundo a Tradição Cristã; Ensinamentos do Magistério recente sobre o maligno; Exorcismo; Indicações Pastorais.
Procurarei apresentar o documento em três partes, de forma resumida, para você, caro leitor e leitora.
Dom Pedro Carlos Cipollini, na apresentação do referido documento, cita São João Crisóstomo: “Não nos dá prazer falar sobre o diabo, mas a doutrina da qual isto me oferece a ocasião de expor, será útil para vós”.

Pensando nesta utilidade é que a Igreja fala sobre o assunto. Nosso mundo está marcado pelo pluralismo religioso. Neste contexto, o problema do mal é como um enigma que questiona continuamente. Entre nós aparecem as pregações sobre o mal e o maligno, práticas de exorcismo, “missa de cura e libertação” e tantas outras práticas que causam estranheza e, não raro, confusão nas comunidades.
Por um lado, há proliferação de exorcismos abusivos, praticados por grupos neopentecostais, os quais entendem e acreditam que todos os males são causados pelo demônio. Por outro lado, há o Cientificismo e o Iluminismo que difundiram a inexistência do maligno. O Papa Francisco fez um alerta em uma homilia: “Existem sacerdotes que, quando leem este e outros trechos do Evangelho, (Lucas 11, 15-26) em que Jesus expulsa o demônio, dizem: Jesus curou uma pessoa de uma doença psíquica. Sem dúvida. É verdade que, naquela época, era possível confundir epilepsia com possessão do demônio. No entanto, também a presença do demônio era verdadeira. Nós não temos o direito de simplificar a questão, como se ela se tratasse de doentes psíquicos, e não de endemoninhados”.
Satã-satanás-diabo: A palavra hebraica satã vem do verbo STN, que significa “incomodar”, e indica o adversário de modo geral, homem ou espírito. No Antigo Testamento satã é um subordinado a Deus, e não um inimigo igualmente poderoso que disputa com ele o domínio sobre o destino dos seres humanos. Em síntese, pode-se dizer que o diabo é aquele que quer dividir a relação existente entre o Criador e os humanos. Diabos e demônios não aparecem nos textos bíblicos de modo idêntico e unívoco.
No Antigo Testamento, o que normalmente se denomina de demônio é algo indeterminado e pouco preciso. Mas há sobriedade a respeito da crença nos demônios. No Novo Testamento os demônios são concebidos como espíritos, isto é, poderes sem “carne, nem ossos”.
Os Evangelhos distinguem a ação do diabo da ação de demônios. Em geral, o diabo é o tentador, aquele que tem o poder de seduzir e tentar para o pecado. Os demônios restringem-se à provocação de doenças, sejam de ordem física, sejam de ordem psíquica. Sendo assim, o diabo atuaria diretamente na tentação e agiria indiretamente nas possessões, por meio dos demônios.
Tudo muito confuso? Isso mostra que o mistério do mal não nos é totalmente conhecido, e as ações do diabo e dos demônios sempre coincidem em sua finalidade: prejudicar o ser humano para afastá-lo de Deus.
A pregação e as atitudes de Jesus, segundo o Novo Testamento, contaram com a existência do diabo e dos demônios, ainda que tal constatação não exclua diversas interpretações.
Jesus, por suas palavras e ações, é o protagonista da luta, em nome do Reino de Deus, contra satanás e seus sequazes. Jesus tem um ensinamento novo, dado com autoridade: “Ele dá ordens até aos espíritos impuros, e eles Lhe obedecem”. (Mc 1,27).
As ações de satanás se revelam de maneira negativa e destruidora. Suas ações não têm consequências meramente espirituais, pois têm implicações físicas, sociais e culturais. O Reinado de Jesus é extraordinário! Para inaugurar o seu Reinado, Jesus realiza exorcismos que sinalizam o Reino de Deus e seu domínio sobre satanás.
Há uma diferença entre a forma como Jesus curava doenças e a maneira como tratava uma pessoa possessa. Na narração de exorcismos há sempre um combate. O espírito maligno reage diante de Jesus.
Também é muito importante entendermos que, mais que se ocupar do maligno, o Novo Testamento apresenta Jesus dedicado a instaurar uma nova ordem, em que todo o mal seja vencido e todos possam gozar de vida em plenitude.
Ao longo de toda a sua vida, Jesus dominou as forças do maligno e expulsou os demônios como expressão de seu Reinado. A derrota do maligno foi concluída pela morte do Crucificado, como Ele mesmo previu em sua vida pública: “É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, e quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim”. (Jo 12, 1-32)

São Francisco e a Ecologia

Neste ano, 2017, a Campanha da Fraternidade apresenta o tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema: “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2, 15). Este tema coloca em evidência a beleza natural da diversidade de nosso País, e também alerta para os perigos da devastação em curso, em vista de um desenvolvimento que só visa o lucro e instrumentaliza a criação.
Sabemos que São Francisco é o Patrono da Ecologia. Que ele é o Santo inspirador de muitas ou quase todas as pessoas que se envolvem em trabalhos, em movimentos que se dedicam aos cuidados e à conscientização da necessidade de tratar bem as criaturas, no sentido de tornar a vida mais saudável e possível no planeta. Mas, por que São Francisco é considerado o protetor das criaturas? Será que no tempo em que ele viveu havia problemas ecológicos como estes que nos deparamos hoje?
Vejamos… No tempo de São Francisco, não se questionava sobre a Ecologia. Hoje, sim, este tema é bastante discutido, dialogado e estudado. O nosso querido São Francisco não precisou passar pelos trabalhos de despoluir rios, denunciar indústrias causadoras de poluição, e tantas outras formas de degradar a natureza.
São Francisco, pela sua experiência, pelo seu “relacionamento fraterno e harmônico com todas as criaturas, e mais ainda com os homens, porque reconhece com alegria que todos são frutos e sinais do único amor de Deus…, aceita e retribui o serviço fraterno das criaturas, evitando a tentação egoística de apropriar-se delas e instrumentalizá-las” (Dicionário Franciscano pg. 833). (mais…)

Diário – Peregrinação: Assis, Roma e Terra Santa.

Enquanto me preparo para a viagem à Terra Santa sinto que irei conhecer algumas pessoas, como se até agora com elas converso por e-mail e Whats. Mas daqui alguns dias as verei face a face. A intimidade crescerá.
Li três livros sobre São Francisco que me ajudaram a entender que ele durante toda a vida, foi destruído e construído. Foi abandonando o menos importante para ter o mais importante.
Dentre várias leituras, uma mais me chamou a atenção. Francisco explica quem é Jesus. Olhando Francisco compreendemos Jesus.
Hoje, véspera da viagem, a sensação que tenho é de despedida, despedida de uma vida. Vida bem vivida, resolvida. Mas uma outra vida está chegando. Novos horizontes, experiências.
A pouco recebi esta bela mensagem: “Recomendou-me o Senhor que eu cuide de ti mas tenho plena convicção que o olhar Dele repousa sobre vc… e quem mais confiável que Ele pra te cuidar e que melhor companhia que Ele pra te acompanhar nessa verdadeira viagem espiritual.
Ficarei aqui no desejo que vc aprecie os lugares perfumados pelas virtudes de Francisco e de Clara … pessoas que tanto amamos e admiramos … que vc possa reviver na sua alma os caminhos percorridos por Jesus e que tudo isso te inspire a ser ainda mais Dele e a ser ainda melhor do que vc já é…
A peregrinação terrestre será linda… maravilhosa… eu diria que inesquecível, mas nunca se esqueça Frei que imensamente maiores são as belezas do céu … não tenha dúvida disso ….
Se sentir saudades … feche os olhos… vou estar ao teu lado… de mãos dadas… aproveitando cada momento com vc… somos dois corações num único coração… no coração Dele…
O meu puro amor arderá em profundo silêncio na sua ausência… mas desejo que o perfume dele possa chegar até vc aonde quer que vc esteja… na volta eu vou estar ansiosa pra te reencontrar e saber por onde esteve além de aqui dentro de mim… no meu coração…”

Tudo pronto. No aeroporto de Curitiba, esperando o embarque. Dormi cedo. Coloquei o celular para despertar às 4:15. Mas às 2:40 acordei e não dormi mais.
As 4:15, desci para tomar café. Frei Chiquinho acordou mais cedo para preparar o café. Tenho conhecido Frei Chiquinho, ele é uma pessoa muito amorosa.
Dentro da aeronave, em Curitiba. Destino São Paulo. O voo atrasou. Estou com um pouco de sono, mas feliz. Dois casais da paróquia já nos contaram algumas piadas. Frei Mauro que começou e eu entrei no ritmo. Estou levando o livro Maria Franciscana. Já li algumas páginas.
Dentro do avião, passou um padre, sei porque estava de clégima. Passou por mim e disse “você pregou missões em Campo do Tenente né? Eu era seminarista lá naquela época, disse ele.”
Estamos voando. Dormi um bom sono. Relaxei bastante. Não estou mais ansioso. Agora não há mais espera. Estou mergulhado na experiência. Daqui a alguns minutos chegaremos no aeroporto de Gurarulhos SP. Mais tempo de espera até embarcarmos para Roma. Serão 11h de vôo.
Vi no face do meu tio que hoje meus avós paternos completam 67 anos de casamento. Que benção. Quantas graças. Sinto-me em paz.
Lembrei-me do que disse o francês Lacan: penso onde não sou, portanto sou onde não me penso.
Alguém muito especial pediu para eu não esquecer desta frase. Simone Weil também disse: Não me cabe pensar em mim. Me cabe pensar em Deus. Deus pensa em mim.
Agora esperando o almoço, em Congonhas. Será meu primeiro vôo internacional.
E é a primeira vez que irei a Assis, Roma e Terra Santa.
Ricardo e Cileide de Florianópolis estão sentados à minha frente.
Ao passar o raio X esqueci a pastinha com passagem e lembrei-me em seguida e voltei buscar.
Antes disso ganhei um cafezinho no restaurante do almoço.
Estamos na sala de embarque. Agora são 13:29 e o vôo sairá às 14:50. Tempo para relaxar, rezar.
O clima entre as pessoas do grupo é de alegria e descontração.
Várias pessoas de Curitiba me pedem para enviar fotos.
O caderno está sempre em mãos. Tenho a sensação que estou fora de mim, desligado, relaxado. De vez em quando eu volto, por pouco tempo. Logo viajo de novo. Agora falta uma hora para a saída do voo.
(mais…)

São Francisco e a morte

Frei Vitório Mazzuco

Tema estranho quando olhamos a partir dos limites de nossa compreensão e aceitação. Mas é natural em se tratando de Francisco de Assis, que preparou o momento de sua passagem deste mundo para a eternidade. Reuniu os Irmãos, recebeu os doces e a presença de sua amiga Jocoba de Settesoli, compôs um hino às Criaturas para ser cantado naquela hora, arrumou um despojado leito na terra nua. Por amar intensamente a vida, não teve medo da morte. Morreu no outono de 1226 em meio às metamorfoses da estação, o amadurecimento das folhas, o cair para o chão, renascer em todos os galhos e florescer; esconder nos confinados canteiros do inverno e renascer na Eterna Primavera.

Francisco venceu-se e, no vencer-se, destruiu seus medos, sobretudo o medo da morte. Porque reconstruiu o Reino, se sentiu seguro nele para sempre. Abraçar a morte fez parte de seu ser livre. Sêneca, na carta a Lucilius, escrevia: “Quem faz assim pratica a liberdade do pensamento, pois quem aprendeu a morrer, desaprendeu ser escravo”. Francisco não se prendeu a nada, foi livre para o regresso ao Paraíso. Ao fazer de sua morte uma celebração tirou o trágico do instante. Viveu a vida moldando cada dia o eterno. Para ele, cada segundo da vida continha toda a vida em sua plenitude, por isso não sabia do último dia. Disse que todos devem recomeçar; fazer a sua parte.

Desejou o Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar. Fez disso a expressão de sua vontade. Compilou uma anotação de todas as maravilhas que viu na vida. Cantou um cântico de luz na sombra da morte. Sabia que ia chegar ao céu e ser imediatamente reconhecido por todos os sofridos leprosos que chegaram antes, e pelo Filho do Homem, que ia identificar e contemplar nele a mesma tatuagem da Paixão, as marcas do Amor, fundidas num grande e acolhedor abraço!

São Francisco de Assis.

Mudanças

A maiores e mais profundas mudanças em nossas vidas acontecem quando encontramos pessoas, outros seres humanos, numa relação de profunda comunhão, que nos tocam, desafiam, influenciam e impressionam. Lembro-me de quando estudava teologia, o exemplo de um Sacerdote comprometido com os pobres, Padre Vilson Groh. Sua profundidade, humanidade, solicitude eram um “tapa na minha cara”. Suas aulas eram esperadas, sua palestras e de forma especial o colóquio pessoal na orientação espiritual. Existe um encontro ainda mais transformador que é o encontro com Jesus. Precisamos de pessoas que nos levem a Ele, nos apontem onde Ele está. Precisamos de um João Batista em nossa vida, de um Eli que ajudou Samuel perceber que era Deus que o chamava. Também poderemos ser João Batista, Eli, na vida de outras pessoas.

Frei Maurício

Oração

“A oração é como um espelho no qual a alma vê todas as manchas e fealdades; indica o que a torna desagradável a Deus; vê-se n’Ele, dispõe-se para em tudo se tornar conforme a Ele. Deus quer que os que O servem se vejam, mas que seja na santa oração, e que aí, todos os dias e muitas vezes por dia, por meio de exames interiores e aspirações, vejam o que nelas pode desagradar a Deus, pedindo-lhe perdão e graça para corrigirem-se.”
(Conferência de São Vicente de Paulo às Filhas da Caridade, sobre oração – 31 de maio de 1648)
oracao

No limiar do desespero

“Como Deus está próximo de nós, quando, reconhecendo e aceitando a nossa abnegação, lançamos inteiramente em suas mãos os nossos cuidados! Contra toda a expectativa humana, Ele nos sustenta quando é preciso, ajudando-nos a fazer o que parecia impossível. Aprendemos, então, a conhecê-Lo não nessa ‘presença’ que se acha em abstratas considerações (…) mas no vazio de uma esperança que pode chegar ao limiar do desespero. (…) A esperança está sempre prestes a converter-se em desespero, mas sem nunca chegar, porque, no instante supremo da crise, o poder de Deus se perfaz, de repente, em nossa fraqueza.”
Homem algum é uma ilha, Thomas Merton, (Ed. Agir) 5ª Edição, 1968, pág. 172

Festa da Exaltação da Santa Cruz

A festa da Exaltação da Santa Cruz, em 14 de setembro, celebra a Cruz como instrumento de salvação, fonte de santidade e símbolo revelador da vitória de Jesus sobre o pecado, sobre a morte e o demônio.
Santo André de Creta, dizia: “Celebramos a festa da Cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da Cruz, e junto com o Crucificado somos levados ao alto, para que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e de tão imenso valor que, aquele que a possui, na verdade, possui um tesouro”.
Parece ser uma festa contraditória, pois, como se pode exaltar o instrumento de morte de um inocente? Paulo já dizia que a cruz é uma loucura para os pagãos, mas, para nós, cristãos, é sinal de vitória, sinal máximo do amor de Deus pela Humanidade.
Precisamos “perder tempo” diante da cruz. Contemplá-la para descobrir sua beleza. Contemplá-la para que façamos a experiência: tudo isso foi por amor, e foi para mim também; sou fraco, e também sou pecador. Não há oração mais intensa que o abandono, a entrega de si ao Crucificado, pois ali Ele nos dá o exemplo de entrega e confiança. Ficamos assustados quando nos deparamos com tamanho amor! Somos pequenos para vislumbrar tal grandiosidade; por isso, toda essa beleza extraordinária do amor de Deus nos é revelada aos poucos.
No mundo de hoje, onde muitas vezes se busca a todo custo o prazer, o mais fácil, o alívio imediato de qualquer dor, torna-se um tanto difícil falar da cruz. No entanto, existem e sempre existirão cristãos verdadeiros, os que abraçam a cruz e, dela não abrem mão. Estes sabem que, sem cruz não há salvação. Mas, também é provável que existam muitos buscando “Jesus sem Cruz”, sem dor, sem renúncia, sem pobres e excluídos. Na verdade, quem busca um Jesus sem cruz, encontrará a cruz sem Jesus. Viver a cruz sem Jesus é insuportável e impossível, porque Ele está presente nas cruzes da Humanidade, sempre.
Nós, freis Capuchinhos, temos a graça de sermos e pertencermos a uma Ordem com muitos santos, e, isso, para nós torna-se um desafio. Digo desafio, porque nos incentiva e nos move a crescermos em santidade. São Francisco mesmo dizia que não podemos olhar a vida de um Santo apenas com admiração, mas também com o comprometimento na observância de seus feitos. Em nossas casas capuchinhas, em quase todas elas, temos imagens dos Santos e Beatos da Ordem. Todos eles estão representados com um crucifixo em mãos. Não é por acaso.
São Boa Ventura, Santo Franciscano, tem belíssimas palavras sobre o assunto. Ele diz: “Quem olha para este propiciatório, com o rosto totalmente voltado pra ele, contemplando-o suspenso na cruz, com fé, esperança e caridade, com devoção, admiração e alegria, com veneração, louvor e júbilo, realiza com ele a páscoa, isto é, a passagem.” E como isso acontece? Boa pergunta, deixemos Boa Ventura responder: “interroga a graça e não a ciência; o desejo, e não a inteligência; o gemido da oração, e não o estudo dos livros; o esposo, e não o professor; Deus, e não o homem; a escuridão e não a claridade.”
Não percamos o lindo costume de enriquecermos as salas de festas, salas de aulas, de reuniões, estabelecimentos comerciais, consultórios com a figura do Crucificado. Dias atrás ganhei um belo crucifixo. Foi da mãe de uma amiga. Está no meu quarto, onde sempre o vejo.
Contemplando o crucificado, aos poucos vamos descobrindo e nos dando conta da imensurável beleza de Jesus, do tesouro guardado no íntimo de seu coração, que é o grande Amor por nós. Isso nos leva a enfrentarmos com mais coragem os contratempos da vida, e nossos olhos verão o Amor.

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