Mercês – espaço místico

No início deste ano, eu estava participando de um curso sobre espiritualidade franciscana em São Pedro-SP e frei Vitório Mazzuco, um dos assessores, perguntou-me:
– Você está morando em Curitiba, nas Mercês, Maurício?
– Sim, estou, respondi.
– O Convento das Mercês é um lugar místico, complementou ele.
Apesar de não ter morado em Curitiba, frei Vitório sente de longe as boas energias deste lugar. O Convento/Paróquia das Mercês é um lugar sagrado e, quem passa por ele tem vontade de voltar ou ali ficar.
Logo que me mudei para Curitiba fui à uma clínica de quiropraxia e, enquanto aguardava o atendimento, um dos terapeutas aproximou-se de mim e perguntou::
– Você é frei aqui das Mercês?
– Sim, sou, respondi.
Então ele me disse o seguinte:
– Fiquei mais de dez anos sem ir à missa; um dia minha mãe me pediu para levá-la à Igreja. Fomos à Igreja Nossa Senhora das Mercês. Gostei tanto dos freis, da simplicidade, da alegria, da boa energia do lugar, que continuo participando das missas até hoje.
De onde vem esta mística da Igreja Nossa Senhora das Mercês? (mais…)

Restaurar a Casa do Mundo

São Francisco, em frente ao Crucifixo de São Damião, escutou o imperativo: “Reconstrói minha casa”. Pela sua experiência espiritual e iluminado pela Palavra de Deus, entende que esta é uma tarefa de anúncio e vivência da paz. Restaurar a casa é restaurar o coração, a fraternidade e também o mundo. Viver e promover, irradiar a paz.
Reparar a casa do mundo, segundo frei Antônio Mota, “é se empenhar para que o mundo seja mundo, ou seja, uma realidade harmônica, realmente um cosmo e não o caos. Para isso, a missão franciscana é, antes de tudo, a promoção daquilo que hoje chamamos a lógica do “cuidado” para com a Casa.” (mais…)

Casa da Fraternidade

Nosso coração é Casa de Deus, por isso é preciso reconstruí-lo. A Fraternidade também é Casa de Deus, por isso precisamos reconstruí-la.
Ser Cristão é viver em comunidade. Jesus chamou os discípulos e formou comunidade com eles. Desde o início do Cristianismo a vida em comunidade foi a expressão concreta de compromisso com Jesus. O Evangelista Lucas, no Livro Atos dos Apóstolos, diz que, os cristãos vendiam o que tinham, colocavam em comum e não faltava nada a ninguém. Lucas quer nos mostrar, em primeiro lugar, que os primeiros cristãos viviam em comunhão de coração, de espírito. Todos eram movidos pelo mesmo Espírito. Seus corações batiam num mesmo compasso.
São Francisco passou por um processo de restauração de seu coração. Com o coração restaurado ele atingiu o coração de seus amigos, e continua a mover o coração de pessoas, em todos os tempos. É um irmão Universal. Seus amigos julgavam-no um louco. Foram até a Igrejinha de São Damião para tentar recuperá-lo. Porém, perceberam algo de extraordinário nele. Encantaram-se e ficaram com ele reconstruindo a Igrejinha. (mais…)

Reconstruir a casa do coração.

No artigo anterior falamos sobre o Crucifixo de São Damião. Uma cruz bizantina que apresenta Jesus na cruz, porém vivo, com olhos abertos e rosto sereno. O ícone apresenta Jesus ressuscitado. Francisco diante deste Crucifixo reza a Deus assim: “Senhor, que queres que eu faça?”. Ouviu então uma voz: “Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja, pois está em ruína.” A igrejinha onde estava o Crucifixo chamava-se São Damião e estava quase destruída, paredes caídas, totalmente abandonada.
Francisco também intuiu que o Crucifixo de São Damião convocara-o não só para reconstruir a sua capela e a Igreja Universal mas também a Igreja interior, a casa onde Deus mora em nossos corações.
A partir da experiência em São Damião, Francisco inicia um processo de reconstrução do seu coração. Ele teve uma forte inspiração e a seguiu. Francisco ouviu o mais profundo de seu coração e lançou-se inteiramente seguindo esta grande voz que gritava dentro dele: “Reconstrói a minha Igreja, a minha casa”. Sua vida foi mudando processualmente. Até chegar a esta experiência em São Damião haviam passados 4 anos de intensa busca, de mudanças.
Francisco vivia como um contemplativo, mesmo quando percorria o mundo em pregação, e até escreveu: “…onde quer que estejamos ou por onde andarmos levamos conosco a nossa cela, que é o irmão corpo: a alma é o eremita, que mora lá dentro para orar e contemplar o Senhor” (Legenda Perusina 80). Ele fez do mundo um claustro, do coração uma capela.
Diante do Crucifixo de São Damião ele também compôs uma oração que se inicia com as seguintes palavras: “Altíssimo e glorioso Deus ilumina as trevas do meu coração” A expressão “coração” quer dizer toda a nossa interioridade. Segundo Frei José Carlos Correia Pedroso: “Interioridade é tudo que sentimos como muito real e concreto em nossa vida, mas que não conseguimos tornar visível com nitidez, nem para os outros, nem para nós mesmos. Então, está ‘lá dentro’. Mas o interessante é que tudo isso que está lá dentro parece tão importante, ou até mais importante do que tudo que vemos ‘aqui fora’.”
É urgente cuidar do coração, reconstruí-lo. Hoje cuida-se muito do corpo, busca-se fortalecer o corpo. O número de academias aumentam cada vez mais. Isso não é ruim, é muito bom, porém não basta cuida do externo, da aparência, do físico, é preciso cuidar do coração, da interioridade, é preciso reconstruir a casa do coração, fortalecer a vida interior. Segundo frei Vitório Mazzuco: “Todos nós somos caracóis carregando nossa casa nas costas.” Fortalecer a vida interior é abraçar e viver uma forte espiritualidade.
Vivemos num momento de muitas ruínas: falência de caráter, ausência de subjetividades fortes, crise das grandes religiões, fragmentação das relações pela falta de ética que é o cimento que sustenta as relações. Somos tentados a ver somente ruínas. São Francisco não via somente ruínas, ele enxergava nas ruínas possiblidades de reconstrução.
Reconstruir a casa é colocar ordem na casa. Passamos por momentos na vida em que tudo desaba. Isso não é o fim. As crises são possiblidades de buscar o melhor, de crescimento, de evolução, de aprendizado, de dar passos em direção à uma maior maturidade, de morte para o que não tem mais sentido. Crise é experiência pascal, morte e ressurreição. Em todo desmoronamento alguma coisa fica inteira e é a partir disto que se chega a inteireza novamente. Quando estamos quebrados não olhemos apenas os cacos, as ruínas, mas o que ainda está em pé. É a partir daí que se faz a reconstrução. Para isso é preciso ter uma forte espiritualidade. É preciso olhar para Jesus como Francisco olhou. Existem muitas formas de olhar para Jesus. Uma coisa é você olhar o mar, outra coisa é você entrar no mar.
O primeiro passo para a reconstrução interior é uma grande escuta. Escutar uma vontade maior e não fazer prevalecer a minha vontade. Francisco tinha um referencial em sua vida que era Deus. Qual é o nosso referencial? Precisamos viver sob o filtro da vontade de Deus.

Cruz de São Damião

A primeira JJC (Jornada da Juventude Capuchinha) acontecida entre os dias 14, 15 e 16 de fevereiro deste ano, em Butiatuba, Almirante Tamandaré, contou a presença de aproximadamente 500 jovens, de todos os municípios do Paraná e Santa Catarina, onde os freis Capuchinhos tem presença.
Os freis juntamente com uma equipe formada por jovens de várias paróquias, escolheram como lema a seguinte frase: “Vai e reconstrói a minha Igreja”. E como símbolo, que passou por todas as paróquias, foi escolhido a Cruz de São Damião. O que é a Cruz de São Damião? E quem é o autor desta frase: “Vai e reconstrói a minha Igreja”? (mais…)

Domingo rural

Domingo para ser domingo,
tem que dormir um pouco mais.
Tomar um café demorado,
um dia ensolarado

Assistir o globo rural.
Receber o vizinho
para um cafezinho.
Ir à casa dos parentes no final da tarde.

Ir rezar na capela.
Encontrar a família.
Sentar na área da cozinha
olhar a natureza e descascar batatinha.

Almoçar um macarrão
com franguinho caipira.
Um vinho bem gelado.
Maionese de batatinha.

Após o almoço um bom sono.
Torcer pra não chegar visita,
porque a cozinha está limpa,
tudo em perfeita harmonia.

A tarde um futebol
no sítio do vizinho.
Sempre no mesmo horário
porque o sol está mais fresquinho.

O difícil é
voltar pra casa sozinho,
sabendo que o outro dia
é uma segunda-feira,
dia de ir pra roça capinar o dia inteiro.

Alegria e tristeza se misturam.
Saudade do dia bem vivido.
Aparecem na mente os compromissos da semana,
e assim a pessoa se programa.

Tantas coisas a realizar,
mas tudo vai passar.
Um outro domingo vai chegar
e muitas pessoas alegrar.

Fica na memória
a água da cachoeira,
do rio ou da represa,
tudo da na mesma.

Paróquia Senhor Bom Jesus de Nazaré

Foi bom conhecer quem você é,
Paróquia Senhor Bom Jesus de Nazaré.
Formada de gente de muita fé,
que tem como pároco, Padre André.

São várias comunidades,
cada uma delas com sua realidade,
porém todas na cidade.

Os freis chegavam com a imagem da Santa na mão,
com o crucifixo e o cordão no hábito marrom

Foram três semanas de Missão,
cantos, silêncio, convivência e oração.
Tudo para aproximarmo-nos de Cristo
e vivermos em união.

Somos um só corpo um só coração,
uma só alma quando amamos todo irmão.
Que as Santas Missões,
possa ter aquecido todos os corações.

A missão não terminou,
ela apenas começou.
É chegada a hora e é agora,
sem choro porque iremos embora.

Partiremos com o coração apertado,
e com alegria de ter encontrado,
a presença do Ressuscitado.

Amém.
Paz e bem!!!

São Francisco de Assis

A partir do século XIX que se começou a conhecer São Francisco, e a partir de 1980 esse conhecimento chegou até nós. Em São Francisco temos um tesouro a ser descoberto. Primeiramente não é possível entendê-lo sem conhecer o contexto no qual viveu.
(mais…)

O abraço de Jesus

Estava atendendo confissões após a missa numa quinta feira à tarde, quando uma mulher aproximou-se pedindo que fosse fazer uma visita a um parente seu, doente, acamado. Não estava programado para sair e fazer visita, mas senti que era uma necessidade, então fui.
Primeiramente atendi mais algumas confissões. O casal me levou até a casa do Sebastião e seu filho. Seu Sebastião, alguém com muita alegria e paz no coração. Fazia tempo que eu não via tamanha fé. Acamado, vítima de uma doença que lhe levou a uma cirurgia de desmembramento de uma parte do corpo, no caso toda a perna esquerda, inclusive boa parte das nádegas. Cirurgia de muito risco, mas ele está se recuperando.
Mesmo nesta situação, seu Sebastião tinha um sorriso no rosto. Ele estava vivendo a cruz de Cristo, com Cristo. Nele estava a presença de Cristo. Seu Sebastião não deixou as perdas e as dores lhe fecharem o coração. Ele decidiu não deixar de amar, esperar, confiar, e perceber que a vida sempre tem sentido.
Nesta visita também percebi que Victor Frank estava certo, o ser humano realmente é um ser que sempre decide o que ele é. Seu Sebastião decidiu confiar em Deus, aceitar a situação de limite e não revoltar-se contra ela.
Mais incrível ainda é o testemunho de seu filho, um garoto de apenas 13 anos. Ele é quem cuida do pai. Eram apenas os dois na casa. O filho faz os curativos no Pai. Ele também cuida da casa, prepara a comida, estuda e também brinca.
Um menino com coração de homem, com atitudes humanas e humanizadoras. Um menino modelo do que é ser filho, do que é ser gente. Um menino alegre, estudioso, responsável. Muitos adultos não são tão adultos quanto aquele menino, muitos cristãos não são tão cristãos como aquele menino.
Após a visita despedi-me dos dois e dei um abraço no menino. Mas foi ele quem me abraçou, um abraço de coração. Ele não recebeu o abraço, ele deu o abraço. Eu não abracei, fui abraçado. Naquele abraço senti que quem me abraçou foi o próprio Cristo.

Verbos

Parar, silenciar, cultivar.
Calar, deixar, acontecer,
simplesmente ser,
o que se é.

Olhar, sentir, deixar fluir.
Mergulhar, entusiasmar, iluminar.
Transformar, diminuir.
E sempre ir.

Gostar, voltar, esforçar.
Decidir, perseverar.
Treinar, fracassar, superar.
Nunca parar.

Doar, acolher, morrer.
Entregar, abandonar, lutar.
Crescer, amadurecer.
Não deixar de viver.

Ser, florescer, ver.
Andar, caminhar, chegar.
Estar, ficar, agradecer.
Para sempre ser.

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