VIDA RELIGIOSA CONSAGRADA – ACOLHIMENTO E PROFECIA

Dentro do calendário da Igreja no Brasil, o mês de agosto,apresenta uma mística toda particular, pois em cada final de semana volta seu olhar para uma das vocações específicas, ou seja, os diferentes “jeitos” com que o batizado segue Jesus e vive o seu Batismo.
A Vida Consagrada Religiosa, celebrada, no 3º Domingo, quer ser na Igreja um modo de acolher o Projeto do Reino de Deus e ser Profecia para um mundo, que na maioria das vezes não vive o essencial, colocando sua referência em valores que não se sustentam no tempo e na história.
Segundo Padre Lourenço Kearns, no livro Teologia da Vida Consagrada, a essência deste estilo de vida não está no muito fazer, e nem tampouco nas estruturas, não tem raízes bíblicas, enquanto fundação, no entanto, encontra seus fundamentos no Evangelho. (mais…)

Santa Clara

Retiro – A volta para Deus.

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Participei de um retiro de silêncio, em Vinhedo – SP. Dom Bernardo, monge trapista, abade no mosteiro Novo Mundo, em Campo do Tenente-PR, foi o pregador. O retiro iniciou-se dia 22/07, no início da noite e terminou no dia 24/07 com o almoço. Estávamos em 105 pessoas de vários estados do País. Ficamos em silêncio de sexta às 18h e 15min até domingo às 11h e 30 min, inclusive durantes as refeições.
Já conhecia Dom Bernardo de ouvir falar, também pelos seus livros e CDs de pregações. Mas, ouvi-lo pessoalmente, saborear sua presença e convivência foi muito especial, surpreendente. Tudo que ele fala de espiritualidade ele já provou e quando não provou ele mesmo diz que não sabe do que está falando.

Tive a alegria de fazer uma orientação espiritual com ele no início do retiro. Impressionante o seu silencio, sua acolhida alegre e orante. Totalmente disponível. Demonstra imensa alegria em servir. Continuaremos a orientação no mosteiro. Estou perto, graças a Deus.
Dom Bernardo discorreu em cinco momentos, sobre: a volta para Deus, oração, serviço fraterno, sofrimento e afeto. Estes temas foram focados no tema geral do retiro: “A volta para Deus”. Somos peregrinos neste mundo. Estamos trilhando um caminho de volta para Deus e Deus deseja ardentemente que voltemos à Ele. Foi para Ele que Ele nos criou.

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“Estamos indo, então, para Deus, e somos chamados a viajar com a nossa inteligência, que é o reflexo da vida do Verbo em nós, e com o nosso amor que reflete a vida do Espírito Santo em nós. Estes “reflexos” nos indicam um dos aspectos mais profundos e mais doces desta peregrinação: Viajamos com duas das três pessoas da Santíssima Trindade. Assim como Jesus mandou os discípulos dois a dois, assim Deus Pai manda seus dois missionários, o Filho e o Espírito. São eles que dentro de nós e entre nós vão nos acompanhar, os dois paracletos que constantemente insistem conosco: “Vamos à casa do Senhor”. Eles mesmos, como sabemos, voltam sem cessar para o Pai de onde procedem. A nossa viagem então é realmente pegar carona no círculo trinitário.
Voltamos, portanto, a Deus com Deus dentro de nós. Neste sentido, nossos pés já se detêm nas portas de Jerusalém. Na companhia dos dois anjos passamos ao Pai dos espíritos para viver plenamente. O único que importa é viver já em sua presença para entrar depois plenamente em sua presença. Vivemos numa escola portátil do serviço do Senhor que um dia vai transformar-se em Reino. Andamos na meia-noite estrelada onde ressoa cada vez mais claramente o grito ‘O noivo vem aí! Vamos ao seu encontro!’ ( Dom Bernardo Bonowitz)
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Clara e Inês de Praga – Primeira Carta

Temos conhecimento da espiritualidade de Santa Clara, principalmente por seus escritos: a Forma de Vida (regra), o Testamento, a Bênção de Clara e as Cartas a Inês de Praga.
Lendo e estudando profundamente os escritos de Clara, nos surpreendemos com sua personalidade bem definida, doce e firme. Não se deixava abater pelas dificuldades nem se deixava levar pelo mais fácil, pelo cômodo e o já pronto. Seguia sempre a inspiração do coração, com valentia invejável. Expressava-se sinteticamente como ninguém. Era humilde e sincera, pobre e simples. Era uma mestra, e é, pois nos ensina o valor da constância, da fidelidade à opção escolhida. Lutou até o fim para ter uma Forma de Vida, assim a definia, e não Regra, como era o costume na época. Conseguiu que aprovassem a referida Forma de Vida dois dias antes de sua morte. E mais ainda, algo inédito: o Privilégio da Pobreza (Privilegium Paupertatis). Com isso, os Mosteiros das Clarissas não possuem bens.

Bem, mas vamos ao que se propõe o título. Quem era Inês de Praga? Inês era uma princesa da cidade de Praga. Muitos reis, e o próprio imperador da Alemanha quiseram se casar com ela. Porém, ela não quis. Conhecia os frades, e estes lhe falaram sobre Clara; então, ela decidiu ser uma irmã como Clara. Isso aconteceu em 1234, oito anos após a morte de São Francisco. Clara estava com quarenta anos.
Logo que Clara ficou sabendo da existência dessa princesa, tratou logo de ajudá-la, escrevendo-lhe cartas. Assim, cultivaram uma profunda e belíssima amizade sem nunca terem se encontrado. O tempo passou… Inês foi canonizada por São João Paulo II.
Hoje, sabemos que existem quatro cartas de Clara para Inês. Provavelmente Inês tenha escrito para Clara, em resposta; mas ainda não foram encontradas as cartas de Inês. Em 1915, o Monsenhor de Milão encontrou um texto latino, escrito entre 1283 e 1322, em Praga. Este texto relata a vida de Santa Inês, e ainda quatro cartas de Clara. As análises textuais, feitas por especialistas, confirmam que são de Clara.
A primeira Carta foi escrita aproximadamente em 1234 -1235, logo que Inês entrou para a vida religiosa, no Mosteiro. A Carta tem caráter de acolhida, e linguagem um tanto quanto formal. Clara se alegra por Inês ter escolhido Jesus por esposo, encoraja-a a perseverar no serviço do Crucificado Pobre.
Vejamos alguns pontos da Carta, traduzida por Frei José Carlos Pedroso. “À venerável e santa virgem, dona Inês, filha do excelentíssimo e ilustríssimo rei da Boêmia, Clara, indigna fâmula de Jesus Cristo, sua serva sempre submissa, recomenda-se inteiramente e deseja, com especial reverência, que obtenha a glória da felicidade eterna”. A carta mostra que Clara ainda não tinha familiaridade com Inês e se dirige a ela como a uma princesa. Interessante lembrarmos: Francisco era burguês, Clara nobre, Inês princesa. Dessa forma, vemos que, em pouco tempo o Franciscanismo fez morada em todas as classes sociais. Na carta, Clara se coloca como serva.
Clara, sempre que se refere a Jesus, menciona-O como Crucificado Pobre. “Portanto, irmã caríssima, ou melhor, senhora muito digna de veneração, porque sois esposa, mãe e irmã do meu Senhor Jesus Cristo, destacada pelo esplendor do estandarte da inviolável virgindade e da santíssima pobreza, ficai firme no santo serviço do Pobre Crucificado, ao qual vos dedicastes com amor ardente. Ele suportou por todos nós a paixão da cruz e nos arrancou do poder do príncipe das trevas, que nos acorrentava pela transgressão de nosso primeiro antepassado, e nos reconciliou com Deus Pai.
Nessa primeira Carta já se percebe a espiritualidade esponsal inspirada no Cântico dos Cânticos, que era forte na época, mas que Clara deu sua originalidade. Nas próximas cartas perceberemos melhor. “Já estais tomada pelos abraços daquele que ornou vosso peito com pedras preciosas e colocou em vossas orelhas pérolas inestimáveis. Ele vos envolveu de gemas primaveris e coruscantes e vos deu uma coroa de ouro marcada com o sinal da santidade”. Gemas primaveris trazem à lembrança pedras preciosas e também os botões de flores.
Os textos de Clara demonstram a sua riqueza cultural e o talento poético; demonstra, também, uma teologia infusa, e como já foi dito, grandeza de alma.

Dom Thomas Keating

O Pai, nos relacionamentos trinitários, é infinitas possibilidades e o Filho é a articulação, na realidade, daquelas possibilidades. O Espírito é a completa entrega do Pai e do Filho, um ao outro, em total unicidade. Deus é infinitamente uno e infinitamente diversificado ao mesmo tempo.
Somos convidados a essa dinâmica de amor de auto-doação e isso para nós é um problema. Os seres humanos não gostam de ser criaturas. Eles querem estar no comando. Eles querem comandar os próprios esforços e atrair a atenção sobre si mesmos, que não é o que Deus faz. Ele apenas é. Ele não necessita de nenhuma atenção, nem de nenhuma adulação. Precisamos nos lembrar que fomos criados do nada. Tão logo possamos aceitar isso inteiramente, e eu enfatizo o inteiramente, poderemos nos tornar todas as coisas. Também poderemos ser Deus.
Deus, é claro, não pode apoiar algo que não seja verdadeiro. Não somos Deus por natureza, mas somos convidados a nos tornar Deus pela graça, que é pura gratuidade de Deus, que compartilha sua bondade, compaixão, perdão e unicidade.

Esses são os valores reais da pessoa humana. Estamos apenas começando a emergir da dominação dos nossos instintos animais. Alguns antropólogos pensam que em nosso tempo o processo evolucionário se encontra em um ponto crítico, em que pode estar começando a emergir um novo nível de consciência, além do racional, a capacidade de compreender a realidade intuitivamente. A globalização do mundo poderá ser uma oportunidade para que o poder maior possa revelar às pessoas, ao mesmo tempo, vislumbres da realidade suprema que não fomos capazes de alcançar num nível racional, e nem poderíamos, por causa das limitações desse nível de consciência.
Notamos com interesse que muitas pessoas que tiveram experiência espiritual a que podemos razoavelmente dar crédito apontam para uma energia invisível que a ciência ainda não endossou até o momento, e que precisa fazê-lo por causa das crescentes evidências da existência de tal energia. O que é que mantém o corpo coeso? Há trilhões de células que aparentemente não possuem um comando central ou um centro de atividade, de modo a que aquela consciência seja uma comunhão de todas as possibilidades de corpo, mente e espírito, um tipo de síntese de todos os níveis da criação. Vale a pena refletir sobre o humano como “um ícone de Deus”.
Se tentamos dissolver dificuldades em nível racional, chegamos apenas a uma confusão emocional. Aceitá-las, ponderá-las, esperar que passem, e entregá-las a Deus, de acordo com os místicos das grandes tradições, é a melhor maneira de lidar com o sofrimento.
Por isso a meditação é tão importante. Trata-se, provavelmente, do acesso mais direto à nossa capacidade para uma consciência que vai além do nível racional. Uma das grandes e atemporais perguntas é: Quem é você? Os adolescentes parecem ter grande interesse nessa pergunta. Quem somos certamente não encontraremos em nosso CV, ou naquilo que relatamos ao médico acerca de nosso histórico de vida. Não se trata de personalidade ou caráter, tais como expressos em nosso comportamento ou maneira de encarar o mundo.
Além do eu egóico, tal como de costume o chamamos, está um eu que normalmente não acessamos, exceto na meditação, na prece, ou em alguma especial invasão da presença de Deus em nossas vidas. No nível mais profundo, há um eu que está até mesmo além do verdadeiro eu, e essa é a manifestação de Deus em nossa pobreza e fraqueza espiritual. De alguma maneira, quem Deus é se expressa na experiência da fraqueza humana.
Na meditação, quando nos sentamos por tempo suficiente, a poeira começa a assentar e começamos a enxergar mais claramente que o eu mais profundo é a consciência de Deus que se manifesta em nossa singularidade como seres humanos. Estamos completamente unidos com todos os outros da espécie humana porque Deus está em todos os outros. A meu ver, essa é uma das grandes dádivas da cosmologia evolucionária e da ciência de hoje, e é a razão pela qual a religião deve dar ouvidos a ciência. Nos dá revelações atualizadas acerca de quem é Deus e, desenvolve uma cosmologia que pode apoiar uma profunda união com Deus.
O que tem sido revelado é que no universo material todas as coisas estão interrelacionadas e interconectadas, e funcionam em colaboração e em comunhão com outras criaturas. À medida que elevamos os níveis de consciência, a presença e a ação de Deus estão em tudo o que acontece: não apenas a presença de Deus, mas a presença e a ação de Deus. Essa ação cura as feridas conscientes e inconscientes dos traumas de infância e do crescimento e, ao mesmo tempo, ativa todas as capacidades da graça que, no entendimento cristão, são os frutos e as dádivas do Espírito. Desse ponto de vista a morte não é o fim. Trata-se da realização da jornada humana que nos prepara para nos movermos além dos sitemas de apoio humanos e de todas as formas de apego, para apenas sermos quem somos no contentamento e na felicidade dessa imensa dádiva.

Livre tradução, de Ronaldo, de texto extraído do livro Reflections on the Unknowable de Thomas Keating (New York, Lantern Books, 2014)

Domingo em família

Retiro – Clarissas Capuchinhas.

Mosteiro Santa Verônica Giuliane

Mosteiro Santa Verônica Giuliane

No final do ano de 2015, Irmã Giuliane, Madre no Mosteiro Santa Verônica Giuliane, das Clarissas Capuchinhas, em Macapá, convidou-me para pregar um retiro para elas, em junho de 2016 . Neste Mosteiro vivem sete Irmãs, uma delas é Noviça. Naquele momento eu disse a ela: “Nunca preguei retiro de uma semana, ainda mais para contemplativas; mas, acredito que para mim seria uma ótima oportunidade para adquirir maiores conhecimentos….. Penso que, se eu for, será muito bom para mim, não sei para vocês… rsrs.
Após algumas semanas, rezando e amadurecendo a ideia, conversando com os freis, guardião e pároco para ver a possibilidade, questão de agenda, dos trabalhos, decidi, então, assumir o compromisso. Sempre pensando na experiência que eu faria na vivência com elas, até porque no início do ano falei com Frei Vitório Mazzuco que me incentivou dizendo que eu como pregador participaria da clausura. (mais…)

Processo Vocacional de Clara

Clara foi a primeira mulher a escrever uma Regra (Lei) sancionada por um Pontífice. Foi uma criatura privilegiada, pois possuía um forte caráter e fineza de alma, e também portadora de valores humanos invejáveis, os quais tinham raízes em sua mãe, Hortolana. Esta possuía uma força interior extraordinária! Em pleno período de guerra, durante as Cruzadas, esta mulher corajosa deu um jeito e fez uma viagem à Terra Santa. Hortolana era uma boa e virtuosa pessoa. Viveu em comunhão com Deus, com os parentes, e dedicou-se ao trabalho caridoso cuidando dos pobres, e eram muitos, que viviam na cidade. (mais…)

Santa Clara de Assis

É quase impossível não apaixonar-se por Santa Clara, conhecendo-a. Neste ano, no mês de janeiro, concluí um curso sobre Espiritualidade Franciscana. Foram 540 horas/aula. Doze módulos distribuídos em quatro anos, sendo três semanas por ano, sempre no mês de janeiro.
Na última semana estudei as fontes relativas à Santa Clara e também à sua espiritualidade. Foi uma semana especial. Confesso que, mesmo sendo um franciscano, pouco ou quase nada conhecia sobre Santa Clara e, muito menos sobre a grande mulher que foi Clara.
Por isso, decidi escrever uma série de artigos apresentando-a aos leitores. (mais…)

Advento

Vinde, adoremos o Rei que vai chegar!
Com o primeiro domingo do Advento iniciamos um novo ano litúrgico. Cristo é o Eixo, a Luz que ilumina todo o Ano Litúrgico com Sua mensagem, Sua palavra e Sua vida. Parece lógico que os acontecimentos da vida de uma pessoa sejam apresentados a partir do seu nascimento, ou, antes até, a partir do momento em que sua vinda é aguardada.
Para os pagãos a palavra “Advento” significava a vinda do seu deus e, também, a vinda de um rei a uma cidade, ou o dia da coroação de um soberano. (mais…)

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